O Chamado de Silent Hill

Eddie: Ah, eu, eu te disse que não sei. Não sou nem mesmo dessa cidade. Eu só… eu só…

James: Você também, hã. Algo simplesmente o trouxe aqui, certo?

Eddie: Umm… sim. Você poderia dizer isso…

 
Afinal, o que é realmente Silent Hill? Que cidade amaldiçoada é esta para onde as pessoas são atraídas e jogadas dentro de um mundo que mais parece o purgatório?

Em última instância, nós não sabemos. Mas as histórias das pessoas que foram jogadas lá e sobreviveram – ou não – criam uma enorme colcha de retalhos que nos serve de base para hipóteses que podem tanto ser verdade quanto estar bem distante desta.

Silent Hill 2, nos trouxe a história mais emblemática de toda a série, devido ao seu roteiro muito bem costurado e que abre margem para incontáveis e profundas discussões. James Sunderland foi à cidade em busca de sua falecida esposa, mas lá encontrou diversas outras pessoas que foram, de uma forma ou outra, atraídas para Silent Hill.

Eddie Dombrowski foi parar lá enquanto fugia da polícia; Angela Orosco estava procurando seu pai (também falecido); Henry Townshend foi para desvendar uma série de assassinatos perpetuados por um serial killer supostamente morto; Alex Shepherd precisava descobrir a obscura e secreta história de sua família e encontrar seu irmão. Ao que parece, a cidade acaba sendo um ponto convergente nestas histórias. Um local para onde todos precisam, em algum momento, se dirigir e lá são mergulhados em provações que apenas uma cidade verdadeiramente amaldiçoada poderia proporcionar. Desta forma, podemos dizer que existe uma espécie de chamado para que algumas pessoas se dirijam à Silent Hill.
 

A provação de Silent Hill

O curioso nestas histórias é que, dependendo da “vítima”, a cidade apresenta-se de forma diferente. Pode ser que algumas pessoas a vejam toda habitada, enquanto outras a vêem completamente deserta. Da mesma forma, em uma determinada narrativa a cidade poderia ser famosa e cheia de vida, para subitamente se mostrar abandonada; ou pode ser que Silent Hill nem mesmo exista no mapa, e os personagens tenham parado lá levados pelo completo acaso (aparentemente).

Estas possibilidades diversas que a cidade toma, dependendo da história e das pessoas que nela se refugiam contribuem para o clima onírico que normalmente há em uma história de Silent Hill. Afinal, os personagens estariam no inferno, no purgatório, em um pesadelo coletivo no qual estão lutando para acordar? Como é possível que pessoas viagem até uma cidade fantasma para procurar por seus entes mortos ou fugir de seus crimes sem que isso tudo seja uma completa alucinação?

Nesta discussão, incontáveis hipóteses já foram criadas. Uma das mais aceitáveis defende que a cidade é, realmente, uma cidade fantasma. Seria uma entidade espiritual cujo único propósito é atrair vítimas para alimentar-se de suas almas em uma espécie de provação macabra, onde os crimes e pecados das vítimas atraídas tomarão forma para atormentá-las. De qualquer forma, raras pessoas voltam vivas e/ou sãs de Silent Hill, e os testes que a cidade emprega são tão mortais que o sucesso costuma ser escapar dali com viva – custe o que custar.

Neste cenário atormentador o simbolismo é levado ao limite. Tudo possui outro significado, por mais ambíguo que possa ser. A “libertação”, então, está intimamente associada à capacidade de compreender estes diversos significados ocultos e superar as provações psicológicas que a cidade impõe. Algo que pode ser definido como redenção, por vezes arrependimento, descoberta e/ou sacrifício. Você será tentado, testado, afligido, curado, morto, ressuscitado, renascido, mudado…

Note que Silent Hill pode ser um pesadelo vivido coletivamente, mas a descoberta e a libertação deste estão centradas em um conflito pessoal. No fim, metaforicamente ou não, estão todos sozinhos procurando se libertar de sua própria escuridão.
 

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