O “Lugar Nenhum”

“Sim, a contagem começou
Novo e velho alinhados
Em ordem de idade.
Então, o caminho se abre
Esperando por eles, o tumulto
Frenético, o banquete da morte!”

 
Que Silent Hill possui uma realidade alternativa e demoníaca conhecida como “outro mundo” você, provavelmente já sabe. Assim como as características mais marcantes desta outra dimensão. No entanto, em algumas histórias, este mundo deturpado se torna ainda mais caótico. É como se dentro desta realidade alternativa existisse uma versão mais profunda, bizarra e nonsense dela mesma. Chamamos este pesadelo-dentro-de-outro-pesadelo de “lugar nenhum” (Nowhere), por ser um universo baseado no caos e na improbabilidade.
 

Características

Visualmente, o “lugar nenhum” parece-se com o “outro mundo”. Porém, aqui, tudo foge completamente à lógica. O tempo e o espaço se confundem e se entrelaçam, formando ambientes praticamente aleatórios e situações estarrecedoras. Tudo é confuso, incoerente e perigoso. Pode-se passar dias trancado dentro de um quarto, percorrer quilômetros em um mesmo corredor, encontrar o mundo de ponta-cabeça, entrar em um navio naufragado abarrotado de corpos flutuando no que deveria ser a água, encontrar a cidade como foi em uma época ancestral, entre diversas outras possibilidades loucas.

E possibilidades é mesmo a palavra que se sobressai neste ambiente. Principalmente para os jogos de narrativa. A maleabilidade deste universo torna possível que o Narrador o utilize para os mais variados fins – segundo seus critérios mais loucos. Tudo é possível de uma forma perturbadora e as metáforas podem se tornar ainda mais reais do que no “outro mundo”.

Nos jogos da série estas modificações quase que sempre se limitaram à mudanças arquitetônicas e visuais, mas nada impede o Narrador de expandir isto para o âmbito psicológico do enredo. Saltos temporais, dimensionais e pesadelos vivos podem aparecer sem precisar de muita explicação. Até mesmo as memórias absorvidas pelos próprios ambientes pode tomar forma (formas assustadoras, claro) e envolver os personagens em uma reencenação de sua história macabra.
 

Guia de Utilização

Como é um ambiente ainda mais perigoso e inverossímil de Silent Hill, o “lugar nenhum” costuma ser reservado para os momentos finais das histórias – seu clímax. Também é utilizado de forma rápida, para que a narrativa não mergulhe em uma viagem por demais onírica.

Dito isso, o Narrador pode querer empregar este ambiente justamente para revelar fatos importantes sobre o que realmente acontece com a cidade. Não que o “lugar nenhum” não possa ser utilizado apenas com o intuito de confundir e apavorar os personagens, mas pode ser um perfeito momento para que o Narrador leve a história na direção que quiser, colocando-a nos trilhos novamente ou mesmo jogando-a completamente para fora deles.
 

 

O Caminho para Lugar Nenhum

Como entrar e sair do “lugar nenhum” também é algo indefinido. O Narrador quem decidirá se seu acesso pode ser feito apenas a partir do “outro mundo” ou diretamente do mundo real – ou ambos.

Como normalmente aparece no clímax das histórias, o mergulho dentro deste mundo caótico costuma ser feito a partir da realidade demoníaca, no momento em que os personagens estão chafurdando em suas buscas pessoais e realmente torturados por seus temores. Harry Mason, por exemplo, adentrou no “lugar nenhum” quase ao final de Silent Hill 1, quando um deus satânico estava prestes a chegar ao mundo. Neste exemplo, o “lugar nenhum” agiu sob dois propósitos: demonstrar a provável deturpação que tal entidade causaria ao mundo e criar um obstáculo à busca de Harry. Eventos parecidos ocorreram em Silent Hill: Homecoming, Origins e Shattered Memories, onde o “lugar nenhum” agia como um labirinto e como um aviso de que o mundo poderia ficar ainda mais bizarro do que o que fora mostrado até então.

Seria o “lugar nenhum” o centro do “outro mundo”? Seria ele o pesadelo de uma poderosa, maligna e ululante entidade? Seria os cacos de uma realidade bizarra que fora despedaçada? Ou ele é, por incrível que pareça, a demonstração definitiva de que Silent Hill não passa de uma terrível, e confusa, alucinação? Talvez nós nunca saberemos.
 

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