Fragmentos de Uma História

“Patrick Chester, filho de Edward. Ele lutou e morreu pelo povo, pela liberdade e por todos os nossos amanhãs. Sua memória segue viva.” (Placa da Estátua no Parque)

Para definir a história da cidade de Silent Hill, existem duas perspectivas. Na primeira, a cidade está abandonada, o que nos leva a precisar explicar como ela ficou assim. A segunda posição é acreditar que Silent Hill permanece como uma cidade comum, encrustada nas montanhas do norte do país. Neste último caso, a explicação que precisamos dar é para onde foram os habitantes da cidade?

Independente do caminho que você escolher para sua história, alguns elementos sempre são constantes em Silent Hill. A cidade amaldiçoada, os habitantes misteriosamente ausentes, um passado cheio de eventos brutais e profanos, além de um culto obscuro que procura despertar um deus ancestral.
 

Antes do homem branco

A história da região antes da colonização dos Estados Unidos permanece nebulosa. Indícios, e relatos de fontes pouco confiáveis, se transformam em deduções frágeis. Mas, a verdade é que, até o presente momento, muito permanece desconhecido sobre esta época.

Até onde sabemos, Silent Hill foi fundada no século XVI, com a chegada dos colonizadores ingleses, mas muito antes disso o local já era considerado importante. Para os índios da região o vale era sagrado, e por isso conduziam importantes rituais religiosos ali. Seu nome pode ter sido “o local dos espíritos silenciados”, ou “Caalee” (algo como “lugar pacato”). Novamente ressalto que estes fatos, em sua maioria, carecem de fontes confiáveis.

Histórias mais especulativas contam que os índios, incentivados por “espíritos silenciosos” e “seres poderosos que sussuravam na noite”, construíram uma espécie de religião. Ela aparentemente é o germe das crenças que o culto misterioso que age em Silent Hill prega, atualmente.

Abrindo um parênteses, há, inclusive, uma interessante lenda sobre um xamã que avisou sua tribo sobre uma fome avassaladora que surgiria em todos os espíritos da região e como eles iriam consumir tudo o que os cercava. Desacreditado, o tal xamã atacou e canibalizou alguns de seus irmãos, e foi por isso punido com a morte por inanição. O curioso de todos estes mitos construídos sobre a região é o fato deles tentarem explicar, de alguma forma, o porquê da cidade ser tão, digamos, especial. Seria o local um antigo reduto de poder sobrenatural? Seria ele alvo de alguma maldição indígena? Estaria a cidade sobre um antigo portal que leva a reinos além da compreensão humana? Não obstante, tais recursos narrativos já foram bastante utilizados em histórias de horror – muitas vezes não para dar uma respostas definitivas, mas para fomentar ainda mais dúvidas na mente dos personagens.


 

Colonização

É certo afirmar que a colonização dos Estados Unidos foi um evento sangrento. Centenas de milhares de índios foram dizimados sem qualquer misericórdia. É pouco provável que em Silent Hill as coisas tenham sido diferente. Alguns relatos afirmam que os índios da região misteriosamente desapareceram décadas antes da colonização, mas sou inclinado a acreditar que eles foram, na verdade, dizimados pelo “homem branco”. O que teria ocorrido em meados de 1600, quando os primeiros colonos chegaram.

Aparentemente, os primeiros anos da colonização foram bastante problemáticos. Eventos “inexplicáveis” aconteciam com uma frequência preocupante. Eram ataques de animais selvagens, desaparecimentos e todo o tipo de pequenas tragédias que minaram gradativamente a moral dos habitantes. O pior momento foi quando uma epidemia assolou a vila e matou grande parcela da população. Convencidos de que Deus não os queria ali, houve um enorme êxodo. Alguns documentos afirmam que toda a vila foi abandonada, ao invés de parte dela, tamanha foi a debandada.
 

O campo de condenados

Marcante mesmo, na história de Silent Hill, foi sua participação nas guerras que assolaram o país no século XIX. Antes mesmo da cidade receber seu nome atual, em 1812 (antes, inclusive, da declaração da independência), o governo aproveitaria sua localização isolada para transformá-la em uma colônia penal, de prisioneiros de guerra. Estes, por sua vez, seriam alvo de toda espécie de exploração e atrocidades.

A Prisão de Silent Hill surgiu para este intento. Foi também a época em que os nativos da região foram finalmente erradicados, desaparecendo por completo. A prisão, no entanto, durou menos de meio século, sendo desativada tão logo perdeu sua utilidade. Os anos que se seguiram foram de insuspeito crescimento para a cidade. As Minas de Carvão Wiltse seriam abertas e com elas viria o progresso. A Guerra Civil converteria a cidade novamente em uma colônia de prisioneiros. Desta vez eles seriam colocados no Campo de Prisioneiros Toluca, mas a desumanidade a que seriam submetidos permaneceria a mesma.

Se estes fatos sangrentos contribuíram para alimentar qualquer mal que houvesse na região, podemos apenas especular. No entanto, desde esta época a cidade já se tornava palco de histórias macabras (como podemos ver na HQ “Past Life”). Talvez os abusos sofridos pelos prisioneiros de guerra tenham mesmo despertado algo espiritualmente maligno na cidade, mas esta não precisa ser a única explicação sobre como Silent Hill se tornou o que é. Mas, inegavelmente, alguma coisa inexplicável aconteceu na cidade naquela época, pois precisaram abrir um hospital psiquiátrico (o Hospital Brookhaven) devido a uma “epidemia” de insanidade. O que poderia causar o surgimento de uma maciça quantidade de doentes mentais?
 

Uma cidade de veraneio

O novo século virou uma página para Silent Hill. A guerra havia acabado e o campo de prisioneiros foi convertido na Prisão Toluca (que não durou muito e foi desativada). Sua história, convenientemente esquecida. A cidade ainda era palco de desaparecimentos inexplicáveis ocasionalmente, mas a vida dentro dela seguia com relativa tranquilidade.

O ponto alto destes estranhos eventos foi quando dezenas de turistas, junto com o navio inteiro que os transportava, desapareceu. O Pequena Baronesa sumiu, inexplicavelmente, em 1918, nas águas gélidas do Rio Toluca. Tanto o navio quando sua tripulação jamais seriam encontrados, mas diversas lendas urbanas surgiriam sobre o fato. Como os diversos relatos de corpos ou mãos esqueléticas que surgem no rio em momentos variados.

Fato é que a cidade ganhou aos poucos uma péssima fama. O fechamento das minas de carvão também contribuiriam para que Silent Hill passasse por uma época incerta, que contornou ao investir no turismo, se tornando uma relativamente próspera colônia de férias para famílias que procuram quietude.

Nem mesmo a morte do prefeito, na década de 60, e toda a Câmara do Turismo, impediria que mais e mais pessoas procurassem Silent Hill para passar. Desde esta época, também, surgiriam diversas denúncias sobre um culto religioso obscuro atuando nos bastidores do poder local. Seria apenas mais uma lenda urbana desta cidade estranha?


 

Qual seria a Silent Hill de hoje?

E como seria, realmente, a Silent Hill dos dias atuais? Em dados objetivos, ela é uma típica cidade interiorana da Nova Inglaterra (pense em Twin Peaks). Tranquila, bucólica, pequena (30 mil habitantes), Silent Hill é cercada por montanhas, florestas de pinheiros, e o enorme rio que a margeia. Suas principais indústrias são o turismo (atualmente em declínio acentuado) e a agricultura – além de, provavelmente, a indústria madeeieira.

Um fato curioso foi o recente surto de venda de drogas, que já fez várias vítimas, direta ou indiretamente. Relatórios policiais indicam o envolvimento da seita religiosa que age secretamente na cidade, mas os envolvidos não foram encontrados devido a “acidentes” que ocorreram com todos que tentaram investigar os fatos. Isto serviu, obviamente, para desencorajar os investigadores e fazer com que o departamento de polícia mantivesse “vista grossa” para o caso.

Eventos que não deixam de ser um bons ganchos para uma história. Os personagens poderiam ser investigadores incumbidos do caso, ou mesmo pessoas ligadas (voluntariamente ou não) ao tráfico – como fornecedores de “ingredientes” ilegais, receptadores, viciados, etc.

Por fim, quanto à cidade estar abandonada ou não, a maior parte dos indícios apontam que a Silent Hil moderna está definitivamente habitada. Ela, no entanto, apareceria deserta para aqueles que são testados por ela. Silent Hill: Shattered Memories, apesar de não fazer parte da linha principal de histórias, é o melhor exemplo disto. Mas, note que em Silent Hill: Homecoming, Alex encontrar Shepherd’s Glen, vizinha de Silent Hill, em uma espécie de transição do habitado para o abandonado. As pessoas, em Shepherd’s Glen, estavam desaparecendo (ou fugindo) sem maiores explicações. Desta forma, seria plausível em uma história que o mesmo aconteceu (ou está acontecendo) com Silent Hill. Isto, claro, irá variar de crônica para crônica, e de Narrador para Narrador. Em todo caso, Silent Hill provavelmente não será um local agradável para a maioria dos personagens.
 

Uma linha cronolôgica

  • Antes do século 16: Nativos americanos acreditam que a região é “especial” e conduzem seus rituais lá. É uma espécie de terreno sagrado.
  • Por volta da década de 1670: Os ingleses colonizam a América do Norte e colonos começam a chegar em Silent Hill.
  • Início de 1700: Uma avassaladora epidemia se espalha pela cidade e ela é abandonada pelos colonos (ou quase abandonada, dependendo da fonte).
  • 1776: A Declaração da Independência dos Estados Unidos, seguida 13 anos mais tarde pela presidência de George Washington.
  • Por volta da década de 1810: Explode a guerra de 1812 e a cidade é reabitada para ser uma colônia penal. Para isto, é construída a Prisão de Silent Hill, que leva direta ou indiretamente à construção do Hospital Psiquiátrico Brokenhaven, no mesmo ano. Também é quando o nome “Silent Hill” se torna oficial.
  • Década de 1840: A Prisão de Silent Hill é fechada.
  • Década de 1850: É aberta a Mineradora de Carvão Wiltse, que leva a cidade a crescer.
  • 1861-65: A Guerra de Secessão toma o país e a cidade se transforma em  uma colônia penal novamente. Para abrigar os novos prisioneiros de guerra é criado o Campo de Prisioneiros Toluca. Com o fim da guerra, em 1865, o campo é convertido em na Prisão Toluca.
  • Por volta de 1890: Pessoas começam a desaparecer inexplicavelmente na cidade.
  • Início da década 1900: A Prisão Toluca também é desativada, e Silent Hill se transforma, gradativamente, em uma cidade turística.
  • Novembro de 1918: O barco “Pequena Baronesa” desaparece no Toluca Lake. Mais de vinte anos depois o lago ainda seria alvo de histórias sobre desaparecimentos misteriosos e fantasmas.
  • Década de 1960: O prefeito da cidade e os envolvidos nos projetos de desenvolvimento turístico morrem de formas misteriosas. Casos envolvendo tráfico de drogas são abafados tanto pela polícia quanto pela mídia.

Página do “Lost Memories”, com a linha do tempo da cidade

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